domingo, 17 de agosto de 2014




Projeto Peixes Anuais do Pampa é finalizado: Conheça alguns resultados!


   Os resultados do Projeto Peixes Anuais do Pampa, apoiado pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza (www.fundacaogrupoboticario.org.br/) contribuíram para a conservação da natureza através do fornecimento inédito de um panorama atualizado sobre a diversidade, distribuição geográfica e ameaças antrópicas incidentes a esse peculiar, pouco conhecido, endêmico e ameaçado grupo de peixes no Bioma Pampa. 


   O desenvolvimento do projeto permitiu o encontro de espécies que se julgava estarem extintas (Austrolebias ibicuiensis, Austrolebias varzeae), novas espécies de peixes anuais no Brasil, antes conhecidas apenas para outros países vizinhos (Austrolebias cheradophilus e A. quirogai), bem como a descoberta de novas espécies para a ciência. Os resultados obtidos foram ainda utilizados no PAN Rivulídeos, no Zoneamento Eólico do RS e na atualização das listas de espécies da fauna ameaçadas de extinção no RS e no Brasil.

Austrolebias sp.


                                                              Austrolebias arachan

Austrolebias cheradophilus
Austrolebias quirogai

   Todas as metas e objetivos propostos pelo projeto foram plenamente alcançados. Foram encontradas 39 espécies de rivulídeos, sendo uma pertencente ao gênero Atlantirivulus, sete ao gênero Cynopoecilus e 31 ao gênero Austrolebias. Ao todo foram localizadas 223 populações, distribuídas em 164 diferentes áreas úmidas, localizadas em 44 municípios. Os ambientes amostrados, independente do município e bacia de drenagem, geralmente apresentaram área reduzida (<1 ha), densa vegetação aquática e estavam localizados em áreas de campo, estando completamente expostos à luminosidade.


 Várzea do Arroio Chuí

 Austrolebias paucisquama

 Cynopoecilus nigrovittatus

Atlantirivulus riograndensis


   A grande maioria das espécies e populações encontradas ocorreu em municípios situados na Planície Costeira e Depressão Central do Rio Grande do Sul. Todas as espécies de rivulídeos registradas anteriormente na área de estudo foram contempladas pelo projeto e tiveram também ampliação no número de populações conhecidas. Além dessas, duas outras espécies conhecidas anteriormente apenas para o Uruguai, foram encontradas em território brasileiro. O projeto também identificou novos táxons. Ao menos 04 espécies do gênero Austrolebias foram reconhecidas como novas (uma delas com o artigo de descrição já submetido para um periódico internacional). Outras duas espécies de Cynopoecilus precisam passar por uma revisão mais detalhada, porém também indicam serem novas.


   A principal causa de perda e fragmentação dos biótopos foi a agricultura, principalmente o cultivo de arroz irrigado e soja. A presença do gado nas áreas úmidas, apesar de ser constante, aparentemente não representa uma ameaça tão intensa quando comparado com o cultivo de grãos, uma vez que para a pecuária não há necessidade do manejo direto da terra e a maior alteração é devido ao pastoreio e pisoteio das poças. O avanço da área urbana é outro impacto considerável sobre as populações, principalmente em áreas com maior especulação imobiliária. O aterramento e drenagem das áreas úmidas são constantes devido à especulação e demanda imobiliária desta região.


   Apesar do cenário de alteração antrópica, também foram encontradas áreas com grande potencial para a preservação de populações de peixes anuais. Isto é especialmente importante no Bioma Pampa, o qual apresenta a mais baixa representatividade no Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) e é considerado o segundo bioma mais devastado do país, atrás apenas da Mata Atlântica.
   Por fim, os dados obtidos pelo projeto permitiram identificar áreas prioritárias para a conservação de peixes anuais no bioma Pampa, assim como espécies de especial interesse conservacionista. Além disso, foi possível chamar a atenção para a conservação de áreas úmidas temporárias e sua biota associada. Essas informações poderão subsidiar diretrizes e as tomadas de decisões sobre futuras ações de manejo, conservação e educação ambiental, a serem desenvolvidas por órgãos públicos relacionados ao meio ambiente, além de instituições de pesquisa e ONGs. Também deverão ser utilizados no licenciamento ambiental, a partir do reconhecimento de áreas de exclusão para o estabelecimento de empreendimentos e na mitigação de impactos e compensação ambiental.


   Os resultados do Projeto Peixes Anuais do Pampa continuarão sendo divulgados através da publicação de artigos científicos e por meio de textos e divulgação de imagens no blog e página na rede social (https://www.facebook.com/InstitutoProPampa).
 


* O texto e todas as imagens são próprias e possuem direitos autorais vinculados ao IPPampa.

Luis Esteban Krause Lanés



quinta-feira, 19 de junho de 2014

Fotos Projeto Peixes Anuais do Pampa - Lagoa Mirim

Continuando a nossa série de imagens sobre o Pampa, divulgamos fotos obtidas em municípios banhados pelas águas da Lagoa Mirim, Rio Grande do Sul, Brasil...

Devido às suas terras baixas e planas e à abundância de água doce, a região já foi quase que totalmente convertida em lavouras de arroz irrigado..
Os "relictos" que sobraram estão ameaçados pelo avanço e diversificação da fronteira agrícola (soja e trigo), urbanização, cultivo de pastagem para o gado e empreendimentos energéticos e silvicultura...

Particularmente a bacia do Rio Jaguarão, o principal afluente da Lagoa Mirim no Brasil, apresenta várias espécies de peixes anuais ameaçados, tanto no Brasil quanto no Uruguai, conforme demonstrado pelos trabalhos listados abaixo:
 
http://www.ufrgs.br/ni/niv12n01/niv12n01artigo%2012.pdf 


http://www.aiep.pl/volumes/2010/5_1/txt/txt_05.php  


http://link.springer.com/article/10.1007%2Fs10641-010-9605-1


http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1439-0426.2010.01626.x/abstract  


http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1439-0426.2012.02052.x/abstract

 
* Todas as imagens são próprias e possuem direitos autorais vinculados ao IPPampa.













NOVAS ESPÉCIES DE PEIXES ANUAIS DESCOBERTAS NO RIO GRANDE DO SUL



Pampianos, 

Recentemente foram publicados alguns artigos sobre a descoberta de novas espécies no Pampa Gaúcho. Aproveitamos para divulgar dois trabalhos realizados pelo IPPAMPA, com apoio da Fundação Boticário, que oficializaram as ocorrências de Austrolebias quirogai e Austrolebias cheradophilus no Brasil.


Austrolebias quirogai in Brazil
 
http://www.aiep.pl/volumes/2010/5_1/pdf/05_1452_F2.pdf




Austrolebias cheradophilus in Brazil

 http://www.ufrgs.br/ni/niv12n01/niv12n01artigo%2012.pdf


FOTOS PROJETO PEIXES ANUAIS DO PAMPA
 
Gurizada medonha,

Após um período de inatividade no nosso blog, tendo em vista o dia do Meio Ambiente, começaremos a divulgar algumas imagens e informações sobre o nosso tão querido e negligenciado Pampa Gaúcho! Isto
já foi feito na nossa página no FB (https://www.facebook.com/InstitutoProPampa), entretanto considerando o grande alcance do nosso blog (que tem mais de 14.000 acessos) resolvemos manter esta plataforma de divulgação. E não necessariamente o que for divulgado aqui será idêntico ao que será divulgado em nossa página do FB e vice versa.

Seguidores, fiquem à vontade para comentar, curtir, compartilhar e também enviar suas imagens do Pampa! Pode ser Pampa brasileiro, uruguaio, argentino, paraguaio....

Particularmente, as imagens deste post, foram obtidas em setembro de 2012, durante a primeira campanha de coleta do Projeto Peixes Anuais do Pampa - http://institutopropampa-ippampa.blogspot.com.br/p/projeto-peixes-anuais-do-pampa.html

Durante esta atividade, merece destaque o redescobrimento de Austrolebias ibicuiensis, uma espécie de peixe anual, muito parecida com A. alexandri e que julgava-se estar extinta. Além do "objeto" em estudo (no caso os peixes anuais) podemos observar uma interessante biodiversidade de macrófitas (plantas aquáticas), serpentes e paisagens maravilhosas. 

Infelizmente também estiveram presentes várias ocorrências de animais silvestres atropelados e flagrantes de destruição de banhados. Mais informações sobre os locais e resultados da coleta podem ser obtidas no link já citado.

OBS: Todas as informações, textos e  imagens divulgadas nesse espaço são de autoria do IPPampa e possuem direitos autorais vinculados à instituição.

















quinta-feira, 2 de maio de 2013

como funcionou a operação que derrubou a cúpula ambiental

 

Como se deu a operação da Polícia Federal que derrubou a cúpula ambiental.

Personagens que se repetiam em investigações sobre o mesmo tema e a frequência de denúncias sobre supostas irregularidades envolvendo a concessão de licenças fez soar na Polícia Federal o alerta de que para estancar crimes ambientais seria preciso mirar na corrupção de agentes públicos.
Foi assim que nasceu, em junho de 2012, a investigação que resultou na segunda-feira na prisão de 18 pessoas, entre elas, os secretários do Meio Ambiente do Estado e de Porto Alegre.
Deflagrada em oito cidades no Rio Grande do Sul e em Florianópolis, em Santa Catarina, a partir das 6h, a Operação Concutare repercutiu imediatamente em Israel, onde o governador Tarso Genro cumpre viagem com uma comitiva gaúcha. Ao receber uma ligação do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, avisando sobre a prisão do secretário Carlos Niedersberg, Tarso determinou a exoneração e sua substituição por Mari Perusso, que atuava na Casa Civil. O prefeito José Fortunati também demitiu o secretário Luiz Fernando Záchia.
Em um dos trechos da decisão judicial em que foram decretadas as prisões, está registrado que as informações "carreadas aos autos ilustram um ambiente de supremacia do poder econômico sem escrúpulos, na qual o interesse da sociedade, em especial o meio ambiente, encontra-se totalmente desguarnecido". São investigados crimes ambientais, contra a administração pública e de lavagem de dinheiro.
Posse mudou planos da PF
Niedersberg era investigado como presidente da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), órgão que comandava desde janeiro de 2011. A indicação dele para assumir a pasta do Meio Ambiente, no início do mês, causou contratempo na apuração da PF. Como passou a ter foro privilegiado como secretário estadual, a investigação teve de ser remetida para o Tribunal Regional Federal da 4ª Região. A operação da PF estava pronta para ser realizada quando Niedersberg tomou posse. Acabou adiada. Segundo a assessoria do TRF4, assim que a exoneração de Niedersberg for publicada no Diário Oficial do Estado, o caso voltará a tramitar na Justiça Federal de 1º grau, na 1ª Vara Federal Criminal.
Trechos de documento da Justiça Federal indicam que Niedersberg "estaria diretamente envolvido na concessão ilegal de licenças ambientais mediante o recebimento de vantagens indevidas." Quanto a Záchia, o despacho da prisão temporária destaca que foi percebida na investigação "estreita relação dele com despachantes ambientais (...), inclusive com encaminhamento de vantagens ao secretário por ter encampado interesses privados no seio da administração municipal".
Em relação a Berfran Rosado, que foi secretário estadual do Meio Ambiente no governo Yeda Crusius, há suspeitas de que ao prestar consultorias por meio do Instituto Biosenso Sustentabilidade Ambiental, do qual é sócio, agiria fazendo tráfico de influência por manter uma rede de relações em órgãos ambientais. Ao ser preso, Berfran tinha R$ 25 mil e US$ 25 mil dentro de uma pasta de trabalho.
Como funcionaria o esquema revelado pela Operação Concutare:


Presos foram para o Presídio Central
Na decisão judicial sobre as prisões, consta: "(...) quanto aos mencionados despachantes ambientais, que prestam consultorias ou assessorias a empresas, ficou evidenciado que se posicionam, muitas vezes, como meros interlocutores entre servidores públicos e empresários, servindo, também, como entreposto para pagamento da propina destinada à concessão de licenças. Neste contexto, merece destaque a participação do Instituto Biosenso (...), que, na verdade, presta-se possivelmente à instrumentalização de delitos contra a administração pública".
A PF cumpriu 28 mandados de busca, no qual foram apreendidos documentos, 22 computadores, seis armas e cerca de R$ 500 mil, além de US$ 44 mil e 5,2 mil euros. Os suspeitos estão com prisão temporária decretada com prazo de cinco dias, que pode ser prorrogada por mais cinco. Os detalhes da ação foram divulgados pela PF em entrevista coletiva comandada pelo superintendente do órgão no RS, delegado Sandro Caron.
Até o fechamento desta edição, 17 dos 18 presos haviam sido transferidos da sede da PF para o Presídio Central, em Porto Alegre. Eles devem retornar à PF conforme a necessidade de prestarem novos esclarecimentos sobre as suspeitas.
A investigação, que deve resultar em indiciamentos de cerca de 50 pessoas por corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, por crime ambiental e lavagem de dinheiro, foi feita pela Delegacia de Crimes contra o Meio Ambiente e Patrimônio Histórico e pela Unidade de Desvio de Recursos Públicos da PF.
— A investigação revelou um grau muito nocivo de promiscuidade entre a atuação de servidores públicos, despachantes, consultores e empresários. Observamos que algumas licenças só seriam emitidas se houvesse pagamento de quantias em dinheiro — explicou o delegado Thiago Machado Delabary, da Unidade de Desvios de Recursos Públicos da PF.
*Colaboraram Cleidi Pereira, Francisco Amorim e Juliana Bublitz
O nome da operação
– A palavra concutare tem origem no latim e significa concussão — crime cometido por servidor contra a administração pública.
– A concussão é consumada com a exigência, por servidor, de vantagem indevida.
– Não é necessário que tenha ocorrido pagamento de propina ou qualquer outro benefício. Basta que o servidor tenha exigido vantagem, o que é crime.
– Ou seja, consuma-se o crime ainda que nenhum ato irregular tenha sido praticado. A pena é de dois a oito anos de reclusão.
– Para o professor de linguagem jurídica Adalberto Kaspary, alguém derrapou no latim na hora de batizar a operação, pois a palavra "concutare" não existe no idioma.
– Segundo Kaspary , o certo é "concutere", palavra que originou o termo concussão e que significa extorquir dinheiro de alguém mediante ameaça.
fonte:http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/politica/noticia/2013/04/como-se-deu-a-operacao-da-policia-federal-que-derrubou-a-cupula-ambiental-4122263.html

Exonerada, ex-presidente da Fepam foi citada na investigação da Polícia Federal.

O nome de Gabriele Gottlieb, que comandava desde 8 de abril a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), está citado nas investigações da Polícia Federal sobre fraude ambiental.
Há indícios de que ela atuaria em favor de interesses privados na liberação de licenças ambientais. Gabriele deixou o cargo na terça-feira, horas depois de integrantes do alto escalão do governo Tarso Genro se reunirem com a cúpula da PF, em Porto Alegre.
Um dos pontos em que o nome de Gabriele aparece na investigação federal é o relacionado à atuação de diretores do Instituto Biosenso junto à Fepam visando a beneficiar interesses privados. Zero Hora publicou na edição de quarta-feira detalhes de como Berfran Rosado e Giancarlo Tusi Pinto, ambos do PPS e integrantes do Biosenso, agiriam junto a órgãos públicos com o propósito de flexibilizar exigências para obtenção de licenças ambientais. Há suspeita de que eles, por meio do instituto, seriam intermediários de pagamento de propina a agentes públicos para conseguir as licenças de interesse de clientes do meio empresarial.
Ao decretar a prisão de 18 suspeitos, a Justiça Federal reproduziu trechos da investigação. Em um deles, há registro de que Gabriele teria dado orientações a Giancarlo, diretor do Biosenso, sobre quais argumentos usar em um processo. Ele queria provar que um parecer do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) era desnecessário no caso de um determinado empreendimento.
"Segundo a autoridade policial, seguindo a orientação de Gabriele, Giancarlo passou a elaborar uma defesa, sustentando a desnecessidade do parecer do Iphan. Para tanto, solicitou auxílio ao servidor Mattos 'Alem Roxo para a elaboração desse documento. Mattos afirmou que tinha elaborado as licenças anteriores — que, segundo ele, não exigiam manifestação do Iphan — e sugeriu que Giancarlo as usasse para fundamentar um parecer que possivelmente dispensaria essa exigência", diz trecho do documento da Justiça Federal.
Roxo é servidor da Fepam e também foi preso pela PF. Antes de assumir a presidência da Fundação, Gabriele era chefe da assessoria jurídica do órgão. Foi alçada ao comando quando Carlos Fernando Niedersberg deixou o cargo para se tornar secretário Estadual do Meio Ambiente. Niedersberg também está preso. Gabriele responde a processo criminal na Justiça Estadual por suspeita de irregularidades na concessão de licença ambiental de um parque eólico, no Litoral Norte.
Na quarta-feira, no seu último dia de viagem a Israel, Tarso confirmou que a presidente da Fepam foi afastada por estar sendo investigada na Operação Concutare. O governador disse ter solicitado informações sobre o caso. Após a confirmação, ela foi afastada do cargo.
fonte: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/politica/noticia/2013/05/exonerada-ex-presidente-da-fepam-foi-citada-na-investigacao-da-policia-federal-4124509.html

 

Secretário de Meio Ambiente do RS é preso em operação da Polícia Federal

Ao todo, 150 policiais federais cumprem 29 mandados de busca e apreensão em 10 cidades gaúchas e Florianópolis, em Santa Catarina.


A Polícia Federal fez na manhã desta segunda-feira (29) uma operação contra crimes ambientais no Rio Grande do Sul.
O secretário de Meio Ambiente foi preso junto com outras 16 pessoas entre servidores públicos, consultores ambientais e empresários. Eles atuariam na obtenção e expedição ilegal de licenças ambientais. O governador Tarso Genro já confirmou o afastamento do secretário.
Ao todo, 150 policiais federais cumprem 29 mandados de busca e apreensão em 10 cidades gaúchas e Florianópolis, em Santa Catarina.